17 de novembro de 2011

O Cineasta da Selva (Aurélio Michiles, 1997)

O filme O Cineasta da Selva narra a trajetória do pioneiro do cinema amazonense Silvino Santos mesclando imagens documentais, registradas pelo próprio Silvino Santos, e imagens dramatizadas. José de Abreu interpreta o personagem principal que, ao longo do filme, vai narrando a sua trajetória para a câmera. O filme traz  interpretações de variadas tradições do processo de elaboração da memória em torno do personagem e do próprio cinema no Amazonas. Com diferentes eixos narrativos o filme não fica preso à apenas uma dimensão da vida do biografado e dialoga com diferentes construções de memórias. Uma delas é o relato auto biográfico de Silvino que pauta as suas biografias, a outra está relacionada às imagens produzidas pelo cineasta e uma terceira remete à construção coletiva da memória do pioneiro.



Trechos do filme O cineasta da selva

  • Ficha Técnica:
    • DIRETOR: Aurélio Michiles
    • ROTEIRO: Júlio Rodrigues e Aurélio Michiles
    • MONTAGEM: Roberto Moreira
    • DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Felipe Daviña
    • ANO: 1997
    • DURAÇÃO: 87 minutos

14 de novembro de 2011

Sonhos Tropicais (André Sturm, 2002)


O filme Sonhos Tropicais (André Sturn, 2002) narra a trajetória de personagens que irão encontrar-se na Revolta da Vacina, um episódio do passado brasileiro ocorrido no Rio de Janeiro em 1904. Dentre os personagens estão Esther, uma polaca trazida para o Brasil com a promessa de um casamento que, no entanto, é levada à prostituição; Oswaldo Cruz, recém chegado ao Brasil que, em suas pesquisas incansáveis, busca da cura de doenças epidêmicas. Além destes, outros personagens passeiam pelo filme compondo o cenário social fragmentado que antecedeu a citada Revolta: o negro capoeirista Prata Preta, um malandro carioca, Amaral, dentre outros. Baseado no romance homônimo de Moacyr Scliar, o filme não se prende ao relato escrito e compõe uma narrativa que mescla personagens ficcionais e personagens com referências históricas. E, numa legenda provocativa, nos leva a refletir sobre o processo de ficcionalização em filmes historiográficos: "Todos os fatos são reais, mesmo os inventados".  (V.A.F.)


Cenas do filme Sonhos Tropicais



  • Ficha Técnica:
    • DIREÇÃO: André Sturm
    • ROTEIRO: Fernando Bonassi, Victor Navas e André Sturm
    • MONTAGEM: Cristina Amaral
    • PRODUÇÃO: André Sturm
    • FOTOGRAFIA: Jacob Solitrenick
    • MÚSICA: Eduardo Queiróz
    • ANO: 2002
    • DURAÇÃO: 120 minutos

12 de novembro de 2011

Vlado, 30 anos depois (João Batista de Andrade, 2005)

O filme Vlado, 30 anos depois, de maneira emocionante, traz uma narrativa sobre as circunstâncias do assassinato de Vladimir Herzog.  As experiências do grupo de jornalistas, do qual também fazia parte Herzog, se mesclam e se confundem. É como se a história de um fosse a história de todos. E a história de Vlado não é apenas dele. Falar de sua morte é como falar da morte de um pedaço de cada um  dos depoentes, que compartilharam da mesma experiência. O próprio diretor é parte daquele grupo de amigos vitimados pela "briga de elefantes", inclusive, o diretor "cede" sua cadeira aos entrevistados num convite a compartilhar suas experiências. A câmera, muitas vezes na mão do diretor, gera imagens instáveis e próximas e alguns dos depoentes se expressam de maneira bastante íntima.  O filme, de forma criativa e  envolvente sensibiliza para o sofrimento daqueles que passaram pela tortura e pela arbitrariedade da violência empregada pela Ditadura Militar. Vale ressaltar um elemento, também simbólico, citado no filme, que é o capuz. Citado pelos depoentes como símbolo da tortura, ele pode ser também um símbolo do período no qual as ações clandestinas dos torturadores estavam encobertas, e do presente, pela falta de visibilidade documental. Quando poderemos tirar esse capuz? Até quando a memória será torturada pela cegueira? (V.A.F.)

Trailer Vlado, 30 anos depois


  • Ficha Técnica
    • ROTEIRO e DIREÇÃO: João Batista de Andrade
    • FOTOGRAFIA: Fabiano Pierri
    • FOTOGRAFIA ADICIONAL: Carlos Ebert
    • CAMERA: João Batista de Andrade
    • MONTAGEM: Landa Costa
    • FINALIZAÇÃO: Paula Pripas